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Conciliação Bancária Passo a Passo para Pequenas Empresas

Aprenda a fazer conciliação bancária sem software caro. Guia passo a passo com modelo Excel gratuito para pequenas empresas.

Pequeno empresário fazendo conciliação bancária com Excel

Gerir uma pequena empresa é um malabarismo constante. Entre clientes, fornecedores e encomendas, as finanças ficam muitas vezes para o fim. Mas há uma tarefa que não pode ser ignorada: a conciliação bancária passo a passo para pequena empresa sem sistema complicado. Sim, é possível fazer isso de forma simples, no Excel, sem pagar software caro. Este guia mostra-lhe exatamente como — com um modelo prático que pode usar já hoje.


O que é conciliação bancária e por que é essencial

A conciliação bancária é o processo de comparar os seus registos internos (o que você anotou que entrou e saiu) com o extrato bancário oficial (o que o banco registou). O objetivo é simples: garantir que os dois documentos coincidem ao cêntimo.

Parece básico? É. Mas poucos pequenos empresários o fazem com regularidade — e isso tem consequências sérias.

O que acontece sem conciliação regular

Sem conciliaçãoCom conciliação
Saldo no livro parece positivo, mas o banco diz outra coisaSaldo interno alinhado com o extrato real
Cobranças erradas passam despercebidasErros e tarifas indevidas são detetados rapidamente
Fraudes internas ou externas difíceis de identificarMovimentos suspeitos são detetados cedo
Declarações fiscais com errosBase de dados contabilística fiável
Surpresas desagradáveis no final do mêsPrevisibilidade e controlo do fluxo de caixa

Segundo a Association of Certified Fraud Examiners, 32% dos casos de fraude empresarial envolvem controlos internos fracos — como a ausência de conciliações regulares. Para uma pequena empresa, um erro não detetado pode custar semanas de trabalho para corrigir.

A boa notícia: não precisa de nenhum sistema complexo para começar. Uma folha Excel bem organizada chega.


Passo a passo: como fazer conciliação bancária no Excel

Antes de começar, reúna dois documentos:

  1. O seu extrato bancário do período (pode ser em PDF, que depois converte para Excel)
  2. O seu livro de caixa ou registo interno de movimentos (pode ser um caderno digitalizado, uma folha Excel ou até um ficheiro Word)

Tem tudo? Então vamos lá.

Passo 1 — Defina o período

Escolha um período fixo: semanal, quinzenal ou mensal. Para começar, o mensal é o mais fácil de gerir. O importante é manter consistência: sempre o mesmo dia, sempre o mesmo intervalo.

Dica: escolha sempre o último dia do mês como data de encerramento. Facilita a comparação com os extratos bancários, que normalmente seguem o calendário mensal.

Passo 2 — Organize os dados do extrato bancário

Abra o extrato bancário e crie uma tabela Excel com estas colunas:

DataDescriçãoDébito (saída)Crédito (entrada)Saldo acumulado
01/01Transferência cliente X500,00 €500,00 €
03/01Fatura fornecedor Y120,00 €380,00 €
05/01Tarifa bancária8,50 €371,50 €

Se o seu extrato está em PDF, não copie manualmente — leva muito tempo e há risco de erros de transcrição. Mais abaixo explicamos como resolver isso em segundos.

Passo 3 — Organize os seus registos internos

Na mesma folha Excel (ou noutra aba), liste todos os movimentos que você registou internamente no mesmo período: pagamentos que fez, recebimentos que anotou, cheques emitidos, transferências enviadas.

O formato deve ser idêntico à tabela do extrato bancário para facilitar a comparação.

Passo 4 — Compare os dois documentos linha a linha

Esta é a essência da conciliação bancária. Percorra as duas listas e marque cada transação que aparece nos dois lados:

  • Transação presente no extrato E nos seus registos → marque como conciliado (pode usar uma coluna com “OK” ou cor verde)
  • Transação presente nos seus registos mas NÃO no extrato → pode ser um movimento em trânsito (cheque ainda por compensar, transferência enviada mas ainda não processada)
  • Transação presente no extrato mas NÃO nos seus registos → sinal de alerta (tarifa não registada, débito automático esquecido, ou erro)

Passo 5 — Calcule as diferenças

Ao terminar a comparação, vai provavelmente encontrar diferenças. Calcule:

Saldo ajustado dos seus registos = Saldo interno + entradas em trânsito − saídas em trânsito

Saldo ajustado do banco = Saldo do extrato + depósitos em trânsito − cheques por compensar

Se os dois valores coincidirem: parabéns, está conciliado! Se não coincidirem: há um erro a investigar.

Passo 6 — Investigue e corrija as diferenças

As diferenças têm quase sempre uma das seguintes causas:

  • Erro de digitação nos seus registos (escreveu 135,00 em vez de 153,00)
  • Movimento esquecido (tarifa bancária, juro, débito automático)
  • Movimento duplicado (lançou a mesma fatura duas vezes)
  • Timing (transferência enviada num mês, processada no seguinte)

Para cada diferença, documente a causa e faça a correção necessária.

Passo 7 — Documente e arquive

Guarde sempre a folha Excel conciliada com a data do período. Em caso de fiscalização ou auditoria, terá toda a informação organizada. Crie uma pasta simples por ano, com uma subpasta por mês.


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Erros frequentes na conciliação bancária e como evitá-los

Mesmo com boa vontade, é fácil cometer erros — especialmente quando se está a fazer tudo sozinho. Estes são os cinco mais comuns:

1. Não fazer a conciliação com regularidade

O erro mais grave é o da procrastinação. Quanto mais tempo passa, mais difícil é reconstruir os movimentos e perceber o que aconteceu. A regra de ouro: nunca deixe acumular mais de um mês sem conciliar.

2. Esquecer as tarifas e comissões bancárias

As tarifas de manutenção de conta, comissões de transferência, juros de descoberto — todos estes movimentos aparecem no extrato mas raramente são registados internamente de forma automática. Reveja sempre o extrato linha a linha.

3. Confundir a data de emissão com a data de valor

A data em que emitiu um cheque ou fez uma transferência pode ser diferente da data em que o banco processou o movimento. Isto cria diferenças temporárias que confundem muita gente. Use sempre a data de valor (a do banco) para efeitos de conciliação.

4. Não guardar documentação de suporte

Se encontrar uma diferença e corrigi-la sem anotar o motivo, da próxima vez não vai saber o que aconteceu. Documente sempre: “diferença de 12,50 € — tarifa de transferência não registada em 15/01”.

5. Copiar dados do PDF manualmente

Copiar transações de um PDF para o Excel à mão é lento e propenso a erros de digitação. Um número trocado (por exemplo, 1.200,00 lido como 12.000,00) pode criar uma diferença enorme e levar muito tempo a encontrar.


Quando é hora de automatizar a conciliação

Fazer a conciliação no Excel é perfeitamente adequado para muitas pequenas empresas. Mas há sinais que indicam que já é tempo de dar um passo em frente:

Sinais de que o processo manual já não chega

  • Volume de transações crescente: quando tem mais de 100-150 movimentos por mês, a conciliação manual começa a consumir muitas horas
  • Vários colaboradores a gerir pagamentos: com mais pessoas a lançar dados, o risco de erros e duplicações aumenta exponencialmente
  • Mais do que uma conta bancária: conciliar duas ou mais contas manualmente é muito trabalhoso
  • Erros frequentes que só descobriu tarde: se regularmente encontra erros de meses anteriores, é sinal de que o processo manual não está a funcionar
  • Crescimento do negócio: quando começa a ter clientes em várias moedas ou transações internacionais, o Excel puro torna-se limitado

O ponto de partida: digitalizar os extratos

Mesmo antes de investir num software de gestão completo, o primeiro passo para automatizar é ter os dados dos extratos em formato digital estruturado. Converter o PDF do extrato bancário para Excel ou CSV elimina o trabalho manual de digitação e reduz drasticamente os erros.

A partir daí, pode usar fórmulas Excel mais avançadas, tabelas dinâmicas, ou começar a explorar ferramentas de gestão financeira adequadas ao tamanho do seu negócio.

Esquema de conciliação bancária com livro de caixa e extrato lado a lado


Conclusão

A conciliação bancária passo a passo para pequena empresa sem sistema caro é totalmente possível — e deve ser uma prioridade, não uma tarefa para “quando houver tempo”. Com uma folha Excel bem organizada, uma rotina mensal e atenção aos detalhes, tem tudo o que precisa para manter as suas finanças sob controlo.

O processo resume-se a sete passos: definir o período, organizar o extrato bancário, organizar os registos internos, comparar linha a linha, calcular diferenças, investigar e corrigir, documentar e arquivar.

O único obstáculo real é ter os dados do extrato em formato digital — e isso é mais fácil do que pensa.

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Escrito por bankStatementLab Team